domingo, 1 de fevereiro de 2015

A tecnologia e seus improváveis profetas


Fabio Borges


Estava eu olhando fotos de lugares maravilhosos por essa incrível janela chamada internet, até me deu vontade de viajar, ter uma “maquina de teletransporte como essas dos filmes de ficção científica para ir rapidamente a todos esses locais. É estranho, mas já fui um dos que se surpreenderam quando viram pela primeira vez uma imagem colorida na televisão, ainda lembro-me da velha TV “preto e branco” da sala de minha casa, alias, da sala disse eu? Ter um único aparelho de TV naquela época (início dos anos 70) já era um grande privilegio. Mas voltando ao assunto, ainda lembro-me da primeira imagem que vi na TV em PB, era um jogo da seleção brasileira onde jogava Pelé, creio que eu deveria ter 3 ou 4 anos de idade no máximo, mas lembro-me perfeitamente como se fosse hoje do fascínio que aquela imagem exerceu sobre mim, e de ter sido a primeira vez que eu ouvi falar do Rei do futebol.
Apesar dessas belas e fantásticas imagens dos dias de hoje geradas por computadores, tablets e smartphones, por mais incríveis e perfeitas que sejam, parecem não causar tanto fascínio na nova geração quanto a que a boa e velha TV de minha infância causou. Por mais fantástica que seja a tecnologia, principalmente com seus recentes avanços, ela parece não estar surtindo o mesmo efeito nos jovens de hoje do que nos causava nos passado, creio que nós seres humanos estamos nos acostumando com os constantes avanços tecnológicos que proporcionam a cada dia mais conforto se incrustando cada vez mais em nosso cotidiano.
O mais estranho disso tudo, é que grandes e improváveis profetas de nossa literatura já previam isso, como nas fantásticas histórias de Júlio Verne antecedendo desde a viagem a lua, (essa até hoje contestada por muitos) até ha primeira viagem submarina com o intrépido capitão Nemo em seu fantástico submarino Nautilus em “Vinte mil léguas submarinas”.
Outros mais contemporâneos também se manifestaram através de sua arte ou literatura, cada um prevendo o futuro de sua maneira. Lembro-me, por exemplo, ainda nos anos 70 de um episódio do desenho “Os jetsons” (desenho que mostrava o cotidiano de uma família em uma era futurística espacial) em que a esposa e mãe ha Srª Jetson, mostrava sinais de estresse (não época eram raríssimos os casos da vida real) por estar trabalhando demais em casa, motivo? Ela apertava muitos botões diariamente, e essa era a causa das dores nos dedos e do estresse. O estresse ocorre em grande escala nos dias de hoje, parece que os autores das histórias narradas no desenho haviam previsto isso. Na vida real, mais precisamente nos anos 90, também tivemos algo similar ao da Srª Jetson, no caso dos dedos exaustos, modernamente chamada de L.E.R (lesão por esforço repetitivo) com os “digitadores”, mas creio que essa profissão acabou (a L.E.R não) se extinguiu, afinal de contas nos dias de hoje todos somos “digitadores”.
Pessoalmente o que mais me impressionou, talvez por ter vivido isso em cada etapa, foi o capitão Kirk do seriado Star Trek (No Brasil Jornada nas estrelas), isso já no primeiro episódio que assisti, pois há mais de 30 anos no passado, ele já usava um intercomunicador para falar com sua nave, muito parecido com aparelho celular do tipo flip, muito usado no inicio do século 21 (século 21? Eu escrevi isso mesmo?).

Mais recentemente fui surpreendido por outro tipo de previsão, essa, apesar de ter sido apresentada em um desenho animado, por sinal é uma bela e divertida história, me pareceu um pouco aterradora. Foi no desenho “Wall-E” que conta a história de um intrépido robosinho criado no ano 2100 para limpar a terra coberta por lixo em um futuro distante. Ele se apaixona por outro robô chamado EVA, e a segue para o espaço em uma aventura que irá mudar seu destino e o destino da humanidade. Nessa história, a terra está desabitada e toda a vida humana que resta migrou para o espaço e se encontra a bordo de uma espaçonave a mais de 700 anos. O problema é que com todos os avanços tecnológicos, os seres humanos passaram a ser extremamente ociosos, e diminuíram suas relações interpessoais, as maquinas faziam praticamente tudo por eles, os que os deixou relapsos, preguiçosos e totalmente dependentes da tecnologia das maquinas. Será que esse será nosso futuro? Bem... Foram tantas as divagações sobre esse tema nesse texto que quase que me esqueci do porque de escrevê-lo. Creio sinceramente que muito pouca coisa ou quase nada em se tratando de avanço da tecnologia, pode impressionar ou surpreender essa nova geração. Só torço para que eles não se afastem de sua verdadeira essência, e que toda essa tecnologia não nos afaste de nossa humanidade, mesmo com todos os seus defeitos, somos o que somos... Por melhor que sejam as próximas gerações, sempre precisaremos de um amigo, um abraço, um carinho, de nossa indulgencia e magnificência, principalmente do amor... As consequências dessas perdas não estão previstas em nenhum livro, conto ou filme. Então, esqueçam um pouco de toda essa tecnologia, e de vez em quando, pode ser até agora, nesse momento, largue esses teclados! E pare para dar um abraço ou um beijo em quem você ama. É isso que ainda nos faz humanos...

Foto: Intercomunicador Cap. Kirk

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