Fabio Borges
Estava
eu olhando fotos de lugares maravilhosos por essa incrível janela chamada
internet, até me deu vontade de viajar, ter uma “maquina de teletransporte como
essas dos filmes de ficção científica para ir rapidamente a todos esses locais.
É estranho, mas já fui um dos que se surpreenderam quando viram pela primeira
vez uma imagem colorida na televisão, ainda lembro-me da velha TV “preto e
branco” da sala de minha casa, alias, da sala disse eu? Ter um único aparelho
de TV naquela época (início dos anos 70) já era um grande privilegio. Mas
voltando ao assunto, ainda lembro-me da primeira imagem que vi na TV em PB, era
um jogo da seleção brasileira onde jogava Pelé, creio que eu deveria ter 3 ou 4
anos de idade no máximo, mas lembro-me perfeitamente como se fosse hoje do
fascínio que aquela imagem exerceu sobre mim, e de ter sido a primeira vez que
eu ouvi falar do Rei do futebol.
Apesar
dessas belas e fantásticas imagens dos dias de hoje geradas por computadores,
tablets e smartphones, por mais incríveis e perfeitas que sejam, parecem não
causar tanto fascínio na nova geração quanto a que a boa e velha TV de minha
infância causou. Por mais fantástica que seja a tecnologia, principalmente com
seus recentes avanços, ela parece não estar surtindo o mesmo efeito nos jovens
de hoje do que nos causava nos passado, creio que nós seres humanos estamos nos
acostumando com os constantes avanços tecnológicos que proporcionam a cada dia
mais conforto se incrustando cada vez mais em nosso cotidiano.
O
mais estranho disso tudo, é que grandes e improváveis profetas de nossa
literatura já previam isso, como nas fantásticas histórias de Júlio Verne
antecedendo desde a viagem a lua, (essa até hoje contestada por muitos) até ha
primeira viagem submarina com o intrépido capitão Nemo em seu fantástico
submarino Nautilus em “Vinte mil léguas submarinas”.
Outros mais contemporâneos também se manifestaram através de sua arte ou
literatura, cada um prevendo o futuro de sua maneira. Lembro-me, por exemplo,
ainda nos anos 70 de um episódio do desenho “Os jetsons” (desenho que mostrava
o cotidiano de uma família em uma era futurística espacial) em que a esposa e
mãe ha Srª Jetson, mostrava sinais de estresse (não época eram raríssimos os
casos da vida real) por estar trabalhando demais em casa, motivo? Ela apertava
muitos botões diariamente, e essa era a causa das dores nos dedos e do
estresse. O estresse ocorre em grande escala nos dias de hoje, parece que os
autores das histórias narradas no desenho haviam previsto isso. Na vida real,
mais precisamente nos anos 90, também tivemos algo similar ao da Srª Jetson, no
caso dos dedos exaustos, modernamente chamada de L.E.R (lesão por esforço
repetitivo) com os “digitadores”, mas creio que essa profissão acabou (a L.E.R
não) se extinguiu, afinal de contas nos dias de hoje todos somos “digitadores”.
Pessoalmente
o que mais me impressionou, talvez por ter vivido isso em cada etapa, foi o
capitão Kirk do seriado Star Trek (No Brasil Jornada nas estrelas), isso já no
primeiro episódio que assisti, pois há mais de 30 anos no passado, ele já usava
um intercomunicador para falar com sua nave, muito parecido com aparelho
celular do tipo flip, muito usado no inicio do século 21 (século 21? Eu escrevi
isso mesmo?).
Mais
recentemente fui surpreendido por outro tipo de previsão, essa, apesar de ter
sido apresentada em um desenho animado, por sinal é uma bela e divertida
história, me pareceu um pouco aterradora. Foi no desenho “Wall-E” que conta a
história de um intrépido robosinho criado no ano 2100 para limpar a terra
coberta por lixo em um futuro distante. Ele se apaixona por outro robô chamado
EVA, e a segue para o espaço em uma aventura que irá mudar seu destino e o
destino da humanidade. Nessa história, a terra está desabitada e toda a vida
humana que resta migrou para o espaço e se encontra a bordo de uma espaçonave a
mais de 700 anos. O problema é que com todos os avanços tecnológicos, os seres
humanos passaram a ser extremamente ociosos, e diminuíram suas relações
interpessoais, as maquinas faziam praticamente tudo por eles, os que os deixou
relapsos, preguiçosos e totalmente dependentes da tecnologia das maquinas. Será
que esse será nosso futuro? Bem... Foram tantas as divagações sobre esse tema
nesse texto que quase que me esqueci do porque de escrevê-lo. Creio
sinceramente que muito pouca coisa ou quase nada em se tratando de avanço da
tecnologia, pode impressionar ou surpreender essa nova geração. Só torço para
que eles não se afastem de sua verdadeira essência, e que toda essa tecnologia
não nos afaste de nossa humanidade, mesmo com todos os seus defeitos, somos o
que somos... Por melhor que sejam as próximas gerações, sempre precisaremos de
um amigo, um abraço, um carinho, de nossa indulgencia e magnificência,
principalmente do amor... As consequências dessas perdas não estão previstas em
nenhum livro, conto ou filme. Então, esqueçam um pouco de toda essa tecnologia,
e de vez em quando, pode ser até agora, nesse momento, largue esses teclados! E
pare para dar um abraço ou um beijo em quem você ama. É isso que ainda nos faz
humanos...
Foto: Intercomunicador Cap. Kirk