Texto:
Fabio Borges
A música da qual estou falando, não pode ser ouvida sem que seu coração
esteja aberto, e sua atenção possa estar totalmente voltada para entender a
genialidade e a humanidade dessa letra. Da mesma forma foi à maneira com que
escolhi para falar dessa composição, enquanto digitava, ouvia repetidamente a
música, que como mágica, abriu os horizontes de minha mente e de meu coração.
Daniel Lemos, (autor e interprete da música) e
sua família durante muito tempo sofreram ao conviver com uma doença
que infelizmente não têm cura e atinge muitas pessoas no mundo todo. Falo do
Mal de Alzheimer, uma forma mais comum de demência neurodegenerativa em
pessoas de idade avançada. Até hoje não existe cura para a doença, apenas
tratamento.
Mesmo eu tendo conhecido o pai de Daniel e durante certo tempo ter tido
o privilégio de conviver com sua família, eu não podia dimensionar o tamanho do
sofrimento que lhes era imposto, e que a cada dia se agravava ainda mais devido
aos avanços da doença.
Em seus últimos dias de vida, ele estava internado em uma clinica, pois
sua doença atingirá um nível que tornava impossível a convivência social com os
membros de sua própria família. Logo ele faleceu...
Três meses antes do falecimento de seu pai, Daniel Lemos compôs “Tão Só”
uma música que até hoje, quando a ouço, toca meu coração e minha alma, trazendo
a tona sentimentos tão profundos que raramente vem à tona, devido à empatia que
a música nos envolve. Além da bela melodia, a letra nos faz ouvintes,
entendermos um pouco dos reflexos desse mal e o verdadeiro impacto que essas
mudanças causam dentro da família quando se têm uma pessoa portadora dessa
doença entre nós. Ele tocou a música no velório de seu pai, a comoção uniu a todos
em torno da mesma dor...
Mesmo com todo sofrimento, Daniel Lemos foi capaz de compor essa música
que em minha opinião é atemporal. Ao mesmo tempo em que nos entristece, ela nos
faz mais humanos, faz com que nos lembremos de nossa fragilidade e pequenez
diante de um universo tão vasto.
Quem quiser ouvir a musica “Tão Só” de Daniel Lemos?
Clique no link abaixo
Sobre a doença
O risco é mais alto em
pessoas que têm história familiar de Alzheimer ou outras
demências. Estudo conduzido na Suécia entre 65 pares de irmãos gêmeos
mostrou que quando um deles apresentava Alzheimer, o irmão gêmeo idêntico
era atingido pela doença em 67% dos casos; o gêmeo diferente, em 22%. A
doença atinge 5 a cada 100 idosos com mais de 70 anos.
O declínio das
funções cognitivas é caracterizado pela dificuldade progressiva em
reter memórias recentes, adquirir novos conhecimentos, fazer
cálculos numéricos e julgamentos de valor, manter-se alerta, expressar-se
na linguagem adequada, manter a motivação e outras capacidades superiores.
Perder funções não cognitivas
significa apresentar distúrbios de comportamento que vão da apatia ao
isolamento e à agressividade.
Abaixo Daniel Lemos:

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