Texto: Fabio Borges
Prefácio
É dito pela sabedoria popular que nós
homens, passamos por diversas fases “animais”, a idade da águia, lobo, Condor e
outros bichos que no momento não me veem a mente. A dissertação de tais fases é
de conhecimento popular, por isso não creio ser necessário descrevê-las aqui
nesse texto.
Mas tem certa fase, que apesar de bem
comum, não é de notoriedade pública, por isso decidi compartilhá-la com vocês
nesse espaço que me foi cedido.
Alguns homens, mesmo depois de maduros,
muitos deles com filhos, quando se separam das esposas, ou “amigadas”, muitas
vezes retornam ao seu lar de origem, voltando a morar com seus pais. Também tem
aqueles que estão passando por dificuldades financeiras e precisam fazer o
mesmo, enfim há vários motivos que podem nos estimular ou obrigar a voltar a
morar com nossos pais. Eu que vos escrevo, pertenço a uma geração que estatisticamente
tem muitos casos de casais divorciados. Por isso, a maioria dos homens que se
separam, ou tem outros tipos de problemas, quando retornam ao lar, voltam para
aos braços da mãe, como é o meu caso que pertenço a um dos perfis descritos a cima.
Conflitos e dilemas
Existem algumas peculiaridades nesse relacionamento
entre mãe e filho que me chamam a atenção, características do cotidiano que de
certa forma são inerentes a essa relação, falo do dia a dia, da convivência,
que apesar de fraterna, passa por dificuldades muitas delas, engraçadas.
É de conhecimento geral que nós homens,
temos dificuldade em nos concentrar em mais de uma coisa ao mesmo tempo, apesar
das mulheres saberem dessa nossa franqueza, elas teimam em insistir no fato.
Estava eu dias passados assistindo ao jogo
de meu time do coração, quando minha mãe chamou-me a atenção e começou a falar
comigo (como ambos temos nossas ocupações, nossa oportunidade de conversar é
melhor no fim de semana) sobre seu trabalho, família, saúde, igreja etc. Enfim
tudo que uma mãe costuma conversar com seu filho. Apesar de estar concentrado
no jogo, e nada a fim de ter aquela conversa, prestei atenção ao que ela estava
falando, quer dizer, mais ou menos, eu olhava para ela, mas meus ouvidos
estavam totalmente concentrados no jogo.
Cinco minutos depois, ela parou e voltou a
fazer o almoço, então, novamente concentrei-me no jogo. Dois minutos depois,
ela voltou a me abordar, dessa vez, eu tirei o volume da televisão, só para ver
se eu dando-lhe uma maior atenção ela encerrava logo o assunto. Felizmente a
conversa foi mais curta, ou melhor, dizendo, o monologo. Só que, passados
trinta segundos ela começou de novo. Pensei cá com meus botões, puxa vida, será
que não dava pra falar tudo de uma só vez?!
A fim de demonstrar que eu queria ver o
jogo, e ao mesmo tempo não ser indelicado com ela, eu resolvi mudar de
estratégia, tomei uma atitude mais drástica, desliguei a televisão, daí ela me
disse, - Filho, e o seu jogo? Você não estava louco para velo? – Sim mãe, mas
vou esperar você terminar de falar primeiro -. Fiz isso achando que dando essa
atenção especial, eu iria me livrar dela, ou que ela sensibiliza-se e me
deixasse em paz. Nossa! Que arrependimento, foi-se quase todo o primeiro tempo
enquanto ela alegremente falava comigo.
Iniciado o segundo tempo, eu estava certo
de que agora, nada poderia me atrapalhar. Desliguei o celular, deitei no sofá
da sala, e peguei uma latinha de cerveja “bem geladinha”, tudo pronto para
jogão! Mas que doce e curta ilusão eu tive, nem dez minutos se passara e ela
começou tudo de novo. Diante de tal circunstância não me restara outra saída,
fui obrigado a dizer a ela que estava a atrapalhar meu jogo, triste, ela me
olhou e disse. - Mas meu filho, você não consegue ver o jogo e conversar comigo
ao mesmo tempo -? Nesse momento, tentei explicar a ela, porque isso não era
possível,e a bola rolando!
Tentativa de conciliação
– Mãe, eu sei que para você, melhor
dizendo, para vocês mulheres, isso é muito fácil, vocês conseguem cozinhar,
falar ao telefone, assistir a novela e ainda ficar de olho nas crianças, tudo
isso ao mesmo tempo sem perder o foco e os detalhes desses acontecimentos, mas
nós homens não temos essa capacidade, salvo algumas raras exceções -. Por quê?
Perguntou ela. Expliquei a ela que isso faz parte da antropologia, desde os
primórdios da humanidade.
Então falei. - Segundo estudos dos
antropólogos, nos tempos das cavernas os homens tinham a obrigação de sair para
caçar para garantir o alimento de suas famílias. Caçar naquela época não era
uma tarefa fácil. Os animais eram muito selvagens e de grande porte, e
davam muito trabalho aos nossos antepassados. Era preciso espreitar a presa com
muito cuidado para não perder a caça, por isso, silencio e concentração eram
fundamentais. O caçador ficava durante horas camuflado silêncio absoluto espreitando a sua presa.
Já as mulheres dessa época, cuidavam das
crianças, cozinhavam, limpavam suas casas, lavavam roupa, conversavam com as
amigas e vizinhas e cultivavam as lavouras. Tantas tarefas tornaram as
mulheres, hábeis em realizar multitarefa, e administrá-las sem a menor
dificuldade. Esse dom foi sendo passado de geração em geração. Lógico que ao
longo dos séculos, muitas coisas mudaram, mas nossa essência e instinto animal
ainda prevalecem em nossas mentes -. Dito tudo isso, o jogo acabou.
Conclusão
“Morar com a mãe é como ser casado, só que
sem o sexo”.

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirLegal o texto!! já tinha lido no ano passado,mas não havia comentado.Só vou discordar um pouco da tua última frase:
ResponderExcluirMorar com a mãe é como ser casado, só que sem o sexo.
Depois de alguns anos de casado a situação é a mesma que morar com a mãe!!